Notícia do Maranhão

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Publicada em 14/09/2026 16:36:13

Do bilro à cerâmica: Maranhão entre os 100 melhores artesanatos do Brasil


Renda de bilro da Raposa e cerâmica vitrificada de São Luís são reconhecidas na 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato.

 

O artesanato maranhense tem dessas coisas que me fazem acreditar, cada vez mais, que cultura também se conta pelas mãos de quem cria. Nesta edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, duas dessas histórias chegaram ao reconhecimento nacional: a Renda de Bilro da Raposa, da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, e a Cerâmica Vitrificada de São Luís, do artesão José Carlos Martins.

São trabalhos diferentes, mas que carregam algo em comum: identidade maranhense, tradição e a capacidade de se reinventar sem perder a essência.

A renda que atravessa gerações

Na Raposa, Darly Menezes conhece bem essa história. Presidente da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, ela cresceu vendo a avó e a mãe produzirem renda de bilro. Aprendeu a técnica, desenvolveu suas próprias peças e passou a compartilhar esse conhecimento com outras mulheres.

Acompanhar a trajetória de Darly também faz parte da minha caminhada como jornalista que há anos divulga o turismo, a cultura e o artesanato do Maranhão. Já viajamos juntas para feiras e eventos de artesanato, e ela se tornou uma fonte frequente para as minhas matérias.

É bonito perceber, de perto, como aquela renda feita com paciência e delicadeza também movimenta histórias, encontros e oportunidades.

O trabalho das rendeiras vem ganhando novos formatos e mercados, com apoio em áreas como precificação, gestão, desenvolvimento de produtos e divulgação.

Para Darly, modernizar não significa deixar a tradição para trás.

“A gente continua fazendo as peças tradicionais, mas também cria peças novas, porque precisa alcançar novos mercados.”

E talvez esteja justamente aí uma das forças do artesanato: preservar o passado sem deixar de conversar com o presente.

 

São Luís moldada em barro

 


Na capital maranhense, o reconhecimento foi para José Carlos Martins, que encontrou na cerâmica um caminho para recomeçar profissionalmente.

 

São mais de 35 anos trabalhando com o material e construindo um fazer que também tem o Maranhão como inspiração. Cazumbás, fofões, azulejos e referências ao bumba meu boi aparecem em suas peças.

O resultado é uma cerâmica que pode chegar à casa de um morador ou seguir na mala de um turista como lembrança de São Luís.

E esse é um aspecto que sempre me chama atenção quando escrevo sobre artesanato: a peça artesanal não é apenas um produto. Ela carrega um pedaço do lugar de onde veio.

Um reconhecimento que vai além do prêmio

Nesta edição, 51 artesãos e grupos do Maranhão participaram da seleção nacional. Apenas dois chegaram ao TOP 100: a renda de bilro da Raposa e a cerâmica vitrificada de São Luís.

O Maranhão já teve outros representantes em edições anteriores, mostrando que essa presença não é novidade. Mas cada nova conquista ajuda a ampliar a visibilidade de quem mantém técnicas, saberes e referências culturais vivos.

Para quem trabalha com turismo e cultura, esse reconhecimento também tem outro significado. Quando um artesão ganha espaço, ganha o território, ganha a cultura e ganha o visitante que passa a enxergar além da paisagem.

Da Raposa a São Luís, o Maranhão mostra mais uma vez que sua identidade também pode ser encontrada no bilro, no barro, no fogo, nas cores e nas mãos de quem transforma matéria-prima em memória.E é justamente por histórias assim que continuo acreditando no jornalismo que aproxima pessoas, cultura e território.

Texto e fotos: Geíza Batistta - Jornalista

 

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